Pão e Cerveja

BH se rende à onda dos Growlers!Nunca foi tão fácil tomar chope em casa!

Se há dois anos alguém te convidasse para encher o growler, você aceitaria? Além de não aceitar, talvez ficasse até com raiva, achando ser vítima de alguma piadinha de duplo sentido, não? Pois se o convite fosse feito hoje, a reação seria perguntar depressa: aonde?

É… o Growler entrou de vez não só para o vocabulário, como para o hábito do consumidor mineiro de cervejas.

Afinal de contas, que termo é esse?

Há quem pronuncie “ grôuler”, outros “ gróuler” e ainda há os que falam “ grauler”. A pronúncia correta mistura os sons do Ó aberto com o A… coisas da língua inglesa, de onde vem a palavra que assume vários significados. Sua tradução passa por resmungão, rosnado, cão que rosna. Mas no meio cervejeiro sua significação é bem diferente. Refere-se ao recipiente, um vaso, ou garrafão vedado, próprio para transportar a bebida, em especial aquela servida on tap ou, para perfeito entendimento, chope!

A tampa pode ser de rosquear ou a que chamamos flip top, com uma borracha para vedação e uma alavanca de metal que tampa a garrafa por pressão.

Com os growlers é possível ir ao bar, fábrica, distribuidor e comprar a cerveja servida diretamente do barril, levando-a para tomar em casa. Na geladeira, estando a garrafa bem vedada, é possível conservar o chope perfeito por até uma semana!

E de onde vem o nome?

Antes da Lei Seca entrar em vigor nos Estados Unidos, o recipiente começou a ser usado com frequência no estado de Idahoo. Em Nova York, no início do século XX, tornou-se um hábito os pais enviarem seus filhos ao bar, no fim da tarde, para comprar cerveja servida diretamente do barril.

Os garotos levavam uma espécie de balde próprio para comportar a bebida.

Este era o modelo original dos growlers
Este era o modelo original dos growlers

Quando os recipientes eram cheios, ao serem arrastados pelo balcão do bar, faziam um barulho característico, semelhante ao rosnado de um cachorro. Taí, o porque da garrafa, que muitos chamam de sifão, ter sido batizada de growler.

Como a moda começou no Brasil

Algumas pessoas possuem há anos as garrafas, ou sifões, trazidos lá de fora. Mas a utilização delas era praticamente decorativa. Até que cerca de quatro anos atrás, a cervejaria Bodebrown de Curitiba lançou as garrafas por aqui, criando um evento semanal, chamado “ Growler Day”, termo que aliás foi registrado como marca pela cervejaria paranaense. A cada semana ela anunciava nas redes sociais os chopes que estariam à venda naquele dia. Eu tive a honra de receber, naquela época, de presente um desses Growlers, enviado diretamente de Curitiba pelo proprietário da Bodebrown, Samuel Cavalcanti. E veio cheio da Tripel Montfort, então um lançamento, para meu deleite.

Com que Growler eu vou?

Em Belo Horizonte vários bares, microcervejarias e distribuidores têm criado dias especiais para abastecer os growlers. Nos mesmos locais é possível comprar o recipiente em diferentes modelos. Existem de cerâmica, de vidro escuro, de alumínio, geralmente com o volume de dois litros. Há modelos menores, que comportam apenas um litro. E há ainda os de lata, também de um litro, que são descartáveis, chamados Crowlers. A cervejaria Way, do Paraná, tem uma linha deles.

Já eu, prefiro estes com a tampa de pressão, a flip top, que vedam realmente o recipiente, uma vez que as tampas de rosquear sempre deixam escapar o gás carbônico. Também dou preferência aos de cerâmica, e não de vidro, que não permitem a entrada de luz de jeito algum, já que a luz pode oxidar muito rapidamente a bebida.

Mapa da Mina

growler station

No mês de maio o supermercado Verdemar em sociedade com a Wals Cervejaria, pertencente ao grupo Ambev, lançaram a Growler Station, tornando-se o primeiro supermercado da América Latina com um tal espaço. É claro que isso facilitou bastante a compra e abastecimento do recipiente, mas tem a desvantagem de só ter os rótulos Wals à disposição.

Quando se compra em bares e distribuidores, são várias as opções de marcas, permitindo ao consumidor conhecer diferentes gostos e estilos. Alguns dos bares em que se pode abastecer os growlers são:

  • Bar Sátira – R. Fernandes Tourinho, 97 – Funcionários,
  • Bar da Casa Olec – Rua Raimundo Corrêia, 210 – São Pedro
  • Uaimii Pub – R. Grão Mogol, 1176 – Sion
  • Empório Independente – R. Bernardo Guimarães, 2612 – Lourdes
  • Empório Veredas – R. Alberto Alves de Azevedo, 117 – Castelo
  • Lojas Mestre-Cervejeiro, R. Fernandes Tourinho, 1040 – Lourdes e Av. Aggeo Pio Sobrinho, 450
  • Seu Romão, R. São Romão, 192 – Santo Antônio
  • BH Cervejas Especiais – R. Conselheiro Lafaiete, 510 – Sagrada Família

O Pátio Cervejeiro da Backer também entrou na onda e aos sábados tem colocado mais de quatro chopes plugados para esse fim. E o preço praticado lá é imbatível, R$12,50 o litro. Por 25 reais é possível voltar para casa com dois litros de Medieval, Bravo, Pele Vermelha e demais rótulos da cervejaria. Mais barato que comprar uma garrafa de 600 ml em qualquer supermercado!

E a grande novidade, aguardada para este mês ainda, é a Growler & Crawler Station da Mamãe Bebidas. O espaço, no mesmo posto onde funciona a distribuidora pioneira em Minas Gerais ( Av. do Contorno 1955, no bairro Floresta), está em construção. E, segundo a proprietária Ana Carolina Patrus, os chopes que ela vai oferecer são para lá de especiais! Já estão fechados os rótulos da premiadíssima Tupiniquim, de Porto Alegre; uma Aged Beer da Bodebrown, de Curitiba; e os criativos chopes da Koala San Brew ( KSB) de Nova Lima. Em negociação quase fechada, a estação da Mamãe Bebidas deve trazer ainda todos os rótulos da norte-americana Founders!

Depois disso, quem ainda não tem um growler para chamar de seu deve estar se revirando para comprar! O bom é que onde se abastece, também se compra o recipiente!

Cuidando da criança

A cerveja é muito rica em açúcar. Por isso, é importante lavar o growler tão logo ele se esvazie. Não se deve deixar nele resquício de cerveja velha, o que seria uma fonte certa de contaminação, resultando numa cerveja azeda na próxima vez que fosse cheio. Fora que se cria uma camada sólida, difícil de tirar depois de seca.

Para lavar, como o gargalo é fino e não cabe uma esponja, pode-se usar uma escova de lavar mamadeira, esfregando poucas gotas de detergente neutro com água em todo o lado interno do recipiente. Se nem a escova entrar pelo gargalo, então enche-se o growler com uma mistura de água, detergente neutro e algumas gotinhas de vinagre. Tampa-se, sacode-se a garrafa e descarta essa mistura. Enxaguar quantas vezes for necessário para não restar nenhum traço do sabão.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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