Pão e Cerveja

Porque ser grande não significa perder qualidade

Dias antes do carnaval, veio a notícia que caiu como bomba sobre a cabeça dos fãs de cerveja artesanal: a Ambev incorpora a microcervejaria mineira Wäls. Choro e ranger de dentes no mundo cervejeiro! E agora, José? Vamos beber cerveja de milho no lugar de puro malte? A chuva de perguntas foi avassaladora naquela terça-feira esquisita! Em meu perfil no Facebook, as pessoas me arguíam se aquilo era verdade. E eu, confesso, tonta tive pânico ao confirmar a notícia. E para a Wäls eu fui, com aquele peso nos ombros, participar do almoço que anunciou a parceria, sociedade, venda, incorporação, junção, ou qualquer outro termo que pudesse explicar tal movimento.

Antes de mais nada, é preciso reafirmar o que foi dito pelos fundadores da Wäls: a microcervejaria não foi comprada, torna-se sócia da cervejaria Bohemia, pertencente ao grupo Ambev. Posto isso, vamos às reflexões e conjecturas do que virá pela frente.
Primeiro ponto: não seria necessário ao maior grupo cervejeiro do mundo comprar uma pequena empresa familiar de Belo Horizonte para aniquilá-la. Pensemos que o negócio fechado entre elas é milionário. Não estamos falando de pequenas cifras. É um montante de cerca de centena de milhões. Segundo ponto: se a Ambev não precisaria comprar a pequena empresa familiar para destruí-la, também não precisaria disso para entrar no ramo das artesanais. Expertise para produzir o que quiser o grupo gigante tem! Então, por quê??

Analisemos então que o movimento de entrar com força nesse ramo é mundial, vide outras aquisições feitas pela Ambev. No Brasil, a gigante é vista com desconfiança pelas artesanais. O público também a enxerga como inimiga da boa cerveja. Somado a isso temos números que mostram que as grandes indústrias cervejeiras não têm mais para onde crescer. Atingiram seu máximo ( e é de fato máximo, pois ocupam 98% do mercado cervejeiro). Os mesmos números apontam a tendência de crescimento do setor artesanal. Tendência, é óbvio, que funciona como projeção para daqui a muitos anos. Mas, se é possível ver o que vem pela frente, se é possível perceber para que lado o mercado se movimenta, qual deveria ser o posicionamento de um grupo que pretende manter sua hegemonia? Dançar conforme a música! Se adiantar e colocar em seu portfólio ícones do mercado que se pretende abraçar.

Muitos disseram que deixarão de beber Wäls. Digo que continuarei tomando, principalmente pelo fato de que os rótulos da mineira premiada estarão muito mais facilmente encontráveis nos pontos de venda. Sem romantismos. Negócios são negócios, ainda que sejam cervejas!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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