Pão e Cerveja

Frutas na cerveja

Texto originalmente publicado em 5 novembro de 2017 no caderno Degusta do Jornal Estado de Minas

Pode parecer estranho a quem não sabe da existência de estilos centenários de cervejas que levam frutas em sua composição, mas daqui pra frente será cada vez mais comum ao brasileiro esse tipo de cerveja.

O interessante em tudo isso é que aos poucos, através das frutas de diferentes biomas às quais temos acesso no Brasil, vai-se criando uma identidade brasileira para as cervejas produzidas por aqui. O espanto de muitos, às vezes até uma rejeição imediata às fruit beers, vem da confusão de se pensar numa pilsen saborizada, o que concordo ser bizarro.

Na verdade, as bases para uma cerveja com fruta são estilos que combinam com o ingrediente, tais como as wit ou saisons belgas, ou ainda as alemãs ácidas Berliner Weisse. Eu, particularmente, gosto muito delas e consigo enxergar seu grande potencial. A brasilidade encontrada em uma cerveja com cajá, carambola, caju, goiaba e tantas outras me encanta e agrada muito ao paladar. Não tenho preconceito contra elas. Taí o segredo para se gostar: não formar conceitos antes de experimentar. Outra dica que dou é deixar de lado a ideia de que cervejas com frutas são necessariamente docinhas. Isso é um mito. Elas podem ser ácidas, bastante alcoólicas, envelhecidas em madeira, ganhando mais complexidade. E também podem ser doces, para quem prefere esse sabor. Muitas cervejarias nacionais têm apresentado rótulos do estilo e várias ganham prêmios lá fora por tal motivo. Logo, está na hora de olhar para as fruit beers com mais boa vontade, não?

PS: ( adendo ao texto original)

As frutas, tão importantes para a identidade das cervejas brasileiras, acabaram sendo o diferencial para a criação do primeiro estilo brasileiro de cerveja – Catharina Sour – tanto assim que a categoria entrou para o guia BJCP no ano seguinte à publicação deste texto.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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