A busca pela identidade da cerveja mineira

Workshop realizado pelo Sindibebidas no Senai Horto, em Belo Horizonte

Uma iniciativa muito bacana, capitaneada pelo SindiBebidas, ligado ao Sistema FIEMG, deve render bons frutos ao segmento das cervejarias artesanais mineiras até meados de 2017. O Sindicato, em conjunto com  Instituto Euvaldo Lodi, Sebrae, Senai, vem desenvolvendo um amplo estudo, desde o ano passado, para traçar a identidade da cerveja mineira. Diante do avanço dos grandes grupos cervejeiros que, a partir da aquisição de marcas artesanais, poluem o mercado com práticas de dumping, as pequenas cervejarias de Minas Gerais entenderam que é preciso traçar um diferencial, algo que as possa distinguir e dar mais competitividade às suas marcas.

O estudo está baseado em cinco etapas, cuja primeira, já concluída, foi ouvir players do mercado das artesanais. A pesquisa contou com 500 entrevistados, inclusive eu fui um deles. Assim, um panorama pode ser traçado para a definição de ações que serão desenvolvidas até se chegar ao objetivo final.

Hoje o SindiBebidas reúne 45 pequenas cervejarias associadas. Todas elas estão representadas no projeto e serão contempladas com as ações definidas. A segunda etapa do estudo é debater o que foi apontado nas entrevistas. Para isso estão sendo realizados workshops, com a participação de 8 cervejarias que atuam como representantes de todas as demais. Já houve dois encontros até agora e deles algumas definições de ações: a criação de uma marca coletiva que defina a alma mineira das cervejarias e a Missão de Blumenau.

Durante a realização do Festival Brasileiro da Cerveja na cidade catarinense, na primeira semana de março, 15 representantes do projeto farão visitas a algumas cervejarias,  à fábrica de cristais Blumenau e à Escola Superior Cerveja e Malte. A missão tem o objetivo de conhecer o Arranjo Local, que tem permitido às empresas catarinenses se organizarem como setor. Com isso, os mineiros pretendem trazer e  implantar algumas ideias de sucesso por lá, como compras coletivas de insumo, vendas em regime cooperativado, estilo de cerveja próprio e um diálogo produtivo com as administrações municipal e estadual.

Até o meio do ano a expectativa do SindiBebidas é ter concluído pelo menos três da cinco etapas traçadas. O maior fruto do trabalho, sem dúvida, será a união das cervejarias e sua organização como setor, como segmento. Enquanto cada empresa trabalhar isoladamente, sem espírito de corpo ou cooperativismo, nenhuma delas terá força no mercado. Ou crescem todas juntas, ou aos poucos elas serão engolidas pelos grandes grupos. Só o fato de fazê-las perceber isso, já demonstra a importância desse projeto.

Para nós, consumidores de Minas Gerais, fica a expectativa de um mercado cervejeiro de qualidade e, principalmente, que reflita nossos costumes, nossos hábitos, nossa riqueza gastronômica, nosso vanguardismo, nossa alma mineira. Se Minas são muitas, como diz Guimarães Rosa, chegou a hora de conhecer todas as suas facetas e valorizar cada uma delas na certeza de que isso nos faz mais fortes!

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Ouça também a coluna Pão e Cerveja da Rádio 102.9 FM de Belo Horizonte

Fabiana Arreguy

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  • Excelente notícia Fabiana. Espero que as cervejarias mineiras passem a utilizar insumos tipicamente do nosso estado. Assim, a tão sonhada escola mineira de cervejas estará dando os seus primeiros passos...

  • Excelente notícia Fabiana. Espero que as cervejarias mineiras passem a utilizar insumos tipicamente do nosso estado. Assim, a tão sonhada escola mineira de cervejas estará dando os seus primeiros passos...

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