Pão e Cerveja

Os efeitos da pandemia sobre as cervejarias brasileiras

Ao fim da pandemia o mercado de cervejas artesanais brasileiro pode ter 50% de baixas

Placa de Fechado pode ser a realidade no fim da pandemia

Pandemia: 49% da cervejarias brasileiras podem fechar as portas em 3 meses. O dado alarmante é revelado por pesquisa feita pelo Guia da Cerveja, que me convidou a analisar com eles os dados. Acesse a pesquisa aqui

Cervejarias revelam em pesquisa do Guia da Cerveja que podem quebrar em 3 meses devido à pandemia
Pandemia pode levar metade das cervejarias brasileiras à falência

A pandemia escancara algumas situações do mercado cervejeiro artesanal do Brasil, que já existiam antes da Covid-19, mas a resolução vinha sendo postergada.

A pesquisa foi respondida por 82 cervejarias, de diferentes portes, de vários estados brasileiros. No entanto a maior parte das que responderam está instalada em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Alguns dados chamam atenção e levam a reflexões:

  • Cervejarias com produção menor do que 10 mil litros/mês são maioria das respondentes. Portanto, são essas nanocervejarias as que já estão sofrendo duramente os impactos, tanto para conseguir algum tipo de ajuda financeira, como para equilibrar dívidas correntes.
  • ¼ das cervejarias que responderam atuam na modalidade cigana. Já era possível, mesmo antes de uma crise do vulto da pandemia, perceber que o maior gargalo das ciganas era chegar ao mercado. E isso fica muito claro agora: todas elas têm uma profunda dependência dos pontos de venda para consumo imediato, como bares e taprooms .
  • Com praticamente todos os canais de venda fechados, as ciganas ficam sem ter onde escoar produtos. O que mostra que elas já não estavam preparadas para a tendência de consumo que se anunciava bem antes da pandemia: o aumento do consumo de alimentos e bebidas em casa.
  • Mais de 60% das cervejarias registraram queda nas vendas diretas ao consumidor, justamente no momento em que esta é a única opção de vendas. Tanto assim, que 34% das cervejarias passaram a fazer entrega delivery, mais de 26% das cervejarias entraram para e-commerces de terceiros, ou criaram canais de venda online, ou ainda ampliaram seus canais de venda online já existentes.
  • 49% das cervejarias responderam que aguentam se manter abertas por até 3 meses. Um já se passou, ou seja, teoricamente teríamos uma quebradeira generalizada em julho de 2020.
  • Somando-se todas as medidas financeiras adotadas pelas cervejarias, como empréstimos e financiamentos, podemos ter um fechamento de empresas mais acentuado no pós-pandemia do que durante a crise.

Pelo Instagram, o seguidor Alessandro Pisa me manda a seguinte pauta para discussão:

“Conversando com pessoas do meio cervejeiro, há um entendimento preliminar que boa parte do espaço conquistado pelas marcas regionais, locais, artesanais perderão mercado para as mainstream. Teria alguma análise nesse sentido?” – questiona o Alessandro

Respondendo a ele, não seria uma conclusão de todo errada pensarmos que as cervejarias mainstream têm muito mais fôlego para permanecer no mercado.

Os grandes grupos, e aqui coloco Ambev, Heineken, Grupo Petrópolis, contam há anos com inúmeros subsídios do governo, com taxa tributária menor, o que as deixa em situação bem confortável, mesmo durante a crise.

Campanhas como Adote um Bar, Cerveja do Bem, etc nada mais são do que adiantamentos de dinheiro aos estabelecimentos que, ao final da crise, vão ter de pagar isso de alguma forma, não? Tais pontos de venda, certamente, serão exclusivos das cervejarias que as ” socorreram”. Afinal, não existe almoço de graça!

Portanto, sim, as pequenas, locais, regionais que sobreviverem terão perdido mercado para as grandes!

Pandemia pode levar à falência de metade das cervejarias artesanais brasileiras
Em 3 meses esta pode ser a placa de aviso nas cervejarias

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.