Pão e Cerveja

Cervejas em garrafa PET, será que valem a pena?

Você compraria uma cerveja em garrafa PET? Elas estão entrando no Brasil, após 10 anos de introdução na Europa.

Cervejas em garrafa PET não são novidade há pelo menos uma década na Europa. Não quer dizer que seja um case de sucesso. A embalagem, já utilizada amplamente para outros tipos de bebida, oferece algumas desvantagens quando o assunto é cerveja.

Cervejas em garrafas PET

No Brasil, ainda não é comum encontrar cervejas envasadas em garrafas plásticas. Mas a empresa New Age, distribuidora de bebidas , entre elas a Schweppes, e produtora da marca Salzburg, resolveu apostar no envase. O mercado-teste foi o sul do país. E agora outras regiões começam a ser prospectadas. O difícil, na verdade, é convencer o consumidor que a garrafa de plástico abriga um produto de boa qualidade. Somos acostumados a ver bebidas muito baratas envasadas assim, quando não clandestinas, vendidas até em beira de estrada.

O foco da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet) é o crescimento do mercado de cervejas artesanais. Mas será que esse segmento tem a ver com embalagem plástica? Talvez não seja lá uma aposta tão certeira…

Teste na boca

De acordo com o distribuidor, a cerveja é ¨tipo heineken¨, talvez porque a garrafa pet seja verde. De fato, a oxidação por luz ( light struck) à qual já nos acostumamos na cerveja de origem holandesa, está bastante presente na Salzburg. O sabor tem amargor mais elevado do que as American Lagers mainstream e não chama atenção por outros defeitos. Ou seja, se eu não visse que o líquido saiu de uma garrafa plástica, nada me faria desconfiar disso.

Problemas ambientais

Na Europa, continente que nos parece ser mais bem-educado ambientalmente, o acúmulo das garrafas pet de cervejas, descartadas incorretamente, provocou um grave problema de poluição das águas. O Rio Reno, que corta cinco países, se viu tomado pelas embalagens, a ponto de haver campanhas para que elas fossem proibidas. Campanhas de devolução à base de descontos nas próximas cervejas também foram lançadas para evitar que as embalagens fossem parar nos cursos d´água.

Agora, imaginemos no Brasil, cujos lixo e esgoto já são descartados diariamente nos rios e mares, como seria? Além dos canudos, das sacolinhas plásticas, das latinhas, garrafas plásticas de refrigerante, teríamos as garrafas de cerveja para completar o ciclo. Enfim, apesar de recicláveis, não são embalagens ambientalmente sustentáveis.

Defeitos na cerveja

As garrafas pet, se forem produzidas com material plástico mais barato, não contam com nenhum aditivo antioxidante. Isso permite a passagem de oxigênio para a bebida envasada ali, provocando inúmeros defeitos no aroma e no sabor da cerveja. Assim como nós sofremos os efeitos de oxidação em nosso organismo, a cerveja também sofre, podendo apresentar aromas indesejáveis, como o já citado light struck, identificado como cheiro de heineken, e descrito como ” xixi de gambá”.

Garrafas PET verdes deixam luz passar oxidando a cerveja

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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