Pão e Cerveja

Muitas escolhas, nenhuma frescura

É normal, quando um mundo de possibilidades se abre pra nós, olharmos com desprezo para o que conhecíamos até então, ou melhor, para o que não conhecíamos. Tenho observado isso com a cerveja. O sujeito passa muitos anos de sua vida tomando um único tipo dela e quando descobre que existem outros cento e tantos estilos, ou rejeita no ato ou quer experimentar todos, entender de todas, recomendar aos demais suas descobertas e aí cai na pior das armadilhas: torna-se um “entendido” de cerveja, chato e radical! Coisa mais insuportável é um cara doutrinando os outros, criticando o que se bebe por aí.

Por outro lado, temos a chatice do sujeito teimoso, que se recusa a nem sequer experimentar outro tipo de cerveja, só para pirraçar aquele que lhe apresenta diferentes opções. E ainda é taxativo em afirmar: isso não é cerveja! (Caso lhe apresentem coisa diferente do copo amarelinho pálido, trincando de gelado, com pouco sabor e pouco aroma.)

Os dois casos servem para ilustrar que radicalismo, em qualquer assunto, não está com nada! Não leva ninguém a lugar algum, apenas serve para encher a paciência de quem está perto e é obrigado a aguentar uma postura pragmática, no mínimo, tola.
Sou a favor de cada um fazer, beber, comer aquilo que mais lhe dá prazer. No caso da cerveja, se você não quer experimentar de jeito nenhum outro tipo, seja sincero com quem lhe oferecer algo diferente. Diga que não gosta de novidades, que não deseja conhecer e que prefere continuar na segurança de tomar a bebida cujo gosto já sabe de cor. Já aquele que, ao contrário, quer experimentar tudo, quer entender bem das novidades, seja também sincero e pesquise muito, experimente bastante e nunca, mas nunca mesmo, se faça de superior acreditando que seu gosto vale mais do que o do outro!

Cerveja é agregadora, ela nunca está associada a momentos tristes, chatos, sem graça. Por isso, para que criar uma facção de conhecedores iluminados de cervejas diferentes? Isso nada tem a ver com a história dessa bebida, em nada condiz com o papel social que ela desempenha há séculos! O que deve prevalecer, sempre, é beber a cerveja com quem gosta, no lugar que der para ser, no copo que tiver disponível, com a comida que der vontade. Tenho um amigo que diz: cerveja ruim é aquela que falta! Então, que a fonte nunca seque! Boa cerveja pra você, seja qual delas estiver em seu copo!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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