Pão e Cerveja

Acumuladores de cervejas

Aqueles que costumam ler meus posts no Facebook, ou me ouvem no programa Pão e Cerveja, podem pensar: essa mulher está com ideia fixa! E, sim, confesso: estou com a estranha mania de acumular. Não copos especiais, nem rótulos ou bolachas de chope. Minha fixação é guardar cervejas vencidas! Antes que torça o nariz, ou se lembre daquela latinha de pielsen comemorativa da Copa de 2010 esquecida em sua estante, fique sabendo que gosto de reservar cervejas que se prestam a isso. O prazo de validade é uma obrigatoriedade da lei, não necessariamente quer dizer que a partir de seu vencimento a cerveja está pronta para ser jogada no ralo. Mas, repito – isso só pode ser feito com uma bebida de fato especial.

Minha mania de acumular cervejas começou por acaso. Em 2009, promovi a visita a Belo Horizonte dos editores do site especializado Brejas. Com os rapazes, verdadeiros caçadores de cervejas, visitamos cada uma das microcervejarias então existentes na cidade. Fomos à Backer, à Falke e à Wäls. E foi nessa última que a isca da acumulação de cervejas velhas me pegou! Os produtores estavam descartando garrafas da Dubbel, cuja arrolhagem havia dado problemas. Um lote inteiro inutilizado! Não só eu, como os demais participantes daquela comitiva, pegamos três ou quatro garrafas para ver se dava para salvar algumas delas. As minhas deixei em um armário escuro, esquecidas de fato. Dois anos depois, encontrei as meninas escondidinhas por lá. Abri a primeira, estava deliciosa. Animei-me e, um ano depois, levei a segunda garrafa para um encontro de cervejeiros caseiros realizado em uma praça de Belo Horizonte. Novamente, bingo! Estava mais deliciosa ainda, como se fosse um vinho do Porto acrescido de ameixas. Reservei por mais um ano a terceira, aberta há um mês. Ai, ai, ai… era um néctar, nada menos do que isso! Ainda bem que nesse percurso comecei a acumular outras, sempre nas mesmas condições de ausência de luz, nenhuma umidade e temperatura constante. Meu armário de tesouros cresce a olhos vistos, o que me faz pensar que boas surpresas o tempo me reserva.

Se você ficou curioso e com vontade de experimentar minha mania, é bom saber que as cervejas claras, leves, com teor alcoólico mais baixo, não envelhecem bem. Já aquelas com maltes mais tostados, com corpo mais denso, com mais álcool, ficam até melhores com o passar do tempo. Por isso, se resolver guardar, dê preferência a estilos assim.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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