Pão e Cerveja

Cervejas defumadas são mesmo estranhas, mas é possível gostar muito delas

Cervejas defumadas podem assustar os paladares menos avisados, mas são tão gostosas de tomar! Basta se acostumar à ideia de algo doce e defumado ao mesmo tempo.

Minha história com as cervejas defumadas lembra aqueles romances cheios de desencontros, mas com final feliz em que o casal se acerta, apesar de todas as suas diferenças. A primeira que tomei foi a clássica Schlenkerla Rauchbier Märzen, à qual detestei com todas as minhas forças. Voltei a ela mais uma ou duas vezes, mas não consegui gostar, embora com essa cerveja faça um risoto de bacon delicioso! Pois não é que nas muitas degustações de cervejas das quais participo têm aparecido cervejas defumadas tão gostosas que estou me rendendo a elas? E não é de hoje, não! Há algum tempo tenho sido apresentada a defumadas, de estilos variados, que dão vontade de tomar outra vez. O que reforça a certeza de que paladar se educa, paladar se modifica, paladar se acostuma a sabores novos. O defumado na cerveja é estranho ao nosso paladar, por certo. Mas se nos acostumamos com a ideia e passamos a tomar com outra expectativa, descobrimos quão bom pode ser o sabor. Me lembro de uma festa, há uns 9 anos, na fábrica da Bamberg lá em Votorantim ( a antiga ainda), em que um churrasco de costela farto foi servido acompanhado do chope Rauchbier, o rótulo mais premiado da Bamberg. Ali, com aquele chope, percebi que eu podia gostar das defumadas, tal equilíbrio, tal leveza, tal facilidade de beber aquela cerveja. A partir dessa experiência perdi o medo! Passei a tomar rauchbier e outras cervejas de fumaça sem susto! Fora as harmonizações que tenho feito com esse perfil de cerveja, que sempre surpreendem o público. É sucesso garantido!

Na última semana tomei duas cervejas defumadas que me deixaram feliz. Eram tão gostosinhas, tão sutis e fáceis de beber. A primeira foi a IPA Defumada da minúscula cigana Évora, de Belo Horizonte. Cerveja sem pretensões grandiosas, por isso mesmo tão boa. Saborosa na medida. Amargor de IPA, aroma lupulado característico mesclado às notas do malte defumado, dulçor delicado na boca. Uma bela demonstração de que menos é mais! A outra cerveja que tomei foi uma, ainda sem nome, feita pelos cervejeiros Daniel Gontijo ( Smedgaard ) e Pablo Carvalho ( Monka Brewery) especialmente para o bar Svärten Mugg ( do qual já falei por aqui). Uma Brown Ale feita nos moldes escandinavos ( Brunt Öi), também sem pretensões grandiosas. O único objetivo é ser bebida facilmente pelos frequentadores da casa, que é toda pensada em torno da cultura nórdica, portanto uma cerveja defumada conversa com o objetivo do bar. Tomei facilmente uns quatro canecos da cerveja, somente servida on tap. E ali tive a certeza de que defumadas não me assustam mais! É possível gostar delas, sem medo, sem susto. Basta desligar a chavinha que associa defumado ao sabor salgado e deixar que a doçura defumada do malte tome conta da boca. É muito bom!

Como não seria justo falar de apenas duas cervejas que me encantam, fiz uma listinha de outras defumadas que tomo e indico:

  1. Franconian Rhapsody da Bamberg, uma bela Helles defumada, que infelizmente é sazonal
  2. Smoke on the Water da Cervejaria Küd, uma das que uso muito em harmonizações
  3. Wals Impetus, uma Red IPA defumada feita para o Instituto Inhotim
  4. Lion Polski da Lund, um estilo diferente, Grodziskie , que mescla acidez e defumado
  5. Dama Smoked Porter

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