Pão e Cerveja

Cerveja Libertária

A onda retrógrada de querer fechar exposições e galerias de arte pode atingir o mundo cervejeiro em pouco tempo. É um mercado que lida com álcool e quem nele atua pode ser acusado de fazer apologia ao vício.

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Tenho acompanhado atentamente as discussões sobre o que é arte ou não é arte, sobre o nu e como o enxergamos, sobre levar ou não levar crianças a museus, galerias e espaços artísticos. E o que me assusta, e sei que a muitos assusta também, é a onda retrógrada e falso-moralista que vem se avolumando de tal forma no Brasil que daqui a pouco, sem que percebamos, vai engolir a todos nós. E quando digo nós também me refiro à gente que trabalha diretamente com cerveja. A defesa de censura é perigosa. Se é legítimo fechar uma exposição ou mostra artística, sem aqui questionar conteúdo de bom ou mau gosto, por que não o seria em relação a bares e cervejarias? Sim, não é exagero meu! Quem faz, vende, expõe ou divulga cervejas pode ser considerado um pervertido, uma pessoa que desencaminha menores para o vício, para a bebedeira( Acreditem, eu recebi email de ouvinte me acusando disso). Temos um telhado de vidro gigante e podemos ser a próxima bola da vez, já pensou nisso? Quem defende hoje o fechamento, a proibição de manifestações artísticas, pode se voltar contra nós amanhã, alegando que álcool é droga e que é dever de um ” cidadão do bem” defender a sociedade de tal malefício. Olha, não é exagero meu, tampouco é questão ideológica. Já vimos esse filme acontecer no país em 1964 com a Marcha da Família com Deus pela Liberdade. E olha no que deu… Vejo muitas pessoas que atuam no mercado cervejeiro defendendo a censura em relação às artes e a elas eu gostaria de pedir que refletissem melhor sobre suas posições e assumissem nossa posição vulnerável. A supressão de direitos não aceita argumentos, nem ponderações. Ela vem pela força e truculência. Defendê-la é um tiro no pé. E jamais podemos esquecer que cerveja é libertária, frase dita ontem por meu amigo e sócio Marco Falcone, que eu adoto a partir de hoje.

Para aqueles que me pedem soluções e não reflexões, como algumas que tenho proposto neste blog, aponto: Defenda a liberdade de direitos, ainda que não a queira para si. Se considerar algo inoportuno, impróprio, imoral afaste-se você, seus filhos e filhas, mas não queira a proibição para todos. Seja coerente com o que você prega e vivencia. Seja respeitoso com a liberdade do outro. Seja tolerante com opiniões divergentes. Não embarque em discursos que semeiam ódio para não ser você o próximo odiado!

Ouça aqui as colunas Pão e Cerveja da Rádio CDL FM

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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